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segunda-feira, 9 de junho de 2008

O Bardo na EGM!

Depois de muito tempo sumido, venho postar aqui o mais recente feito (público) do bardo: um artigo sobre a "Sinestesia dos Games" na EGM Brasil. Resultado de uma entrevista com alunos da escola de jogos DigiPen e uma pesquisa em relação a jogos musicais.

Interessado? Clique na capa da edição (a imagem abaixo) e baixe o pdf.



quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Entrevista com Bruno Cavalcanti

Agora que você, leitor, já tem uma decente fundamentação no mundo dos jogos independentes, iremos nos aprofundar. O tema será sempre sobre jogos independentes ou a conexão de um assunto com os mesmos. O Brasil certamente não é o país que lidera nesse quesito, mas fazemos parte dele. Um ótimo representante deles, nada incomum à cena, é Bruno Cavalcanti. Membro da Gamecultura, que já foi entrevistado e escreveu para o portal. O seu destaque se dá pela Beware The LadyBettle (BTL) e sua obra The Spoiler.

Se você não sabe o que é The Spoiler, aqui vai uma descrição breve.

The Spoiler é um jogo grátis de aventura point and click (apontar e clicar) que mistura investigação e ação em um tribunal. Você é o advogado Gaspar Biz que tem como missão defender seu cliente, Carlson Bekker, único suspeito do crime de Arielle Rumble, sua ex-namorada. No jogo, seu trabalho não será nada fácil. Durante os três dias de investigação, as coisas se tornam cada vez mais complicadas. No tribunal, o veredito não depende apenas do resultado da investigação. A forma que você conduz o seu caso tem grande peso na decisão dos jurados.

Para os mais pacientes, há também uma resenha (sem spoilers) disponível no GameCultura que eu mesmo escrevi. Por fim, não há melhor jeito de conhecer o jogo que jogando. Baixe The Spoiler no site do BTL. É de graça, não vai doer.

Entrevista

Arthur Protasio: Bruno, antes de qualquer coisa, queria agradecer pela oportunidade. Agora, sem mais delongas, vamos às perguntas. Nacionalidade, Idade e formação? O que faz atualmente?

Bruno Cavalcanti: Brasileiro, 28 anos, empresário. No momento, estou tentando finalizar nosso segundo jogo: Brass Tracks.

Arthur: Desde quando você se interessa por jogos?

Bruno: Desde o Atari. Foi minha primeira experiência com jogos eletrônicos e última com video games. Nunca soube lidar com joysticks e o clássico controle do Atari, um manche e um botão vermelho, já era demais pra mim... Larguei o Atari por um MSX. Em seguida, foi MSX 1 Plus, MSX 2, Amiga e, finalmente, PCs.

Arthur: Que jogos te marcaram mais?

Bruno: Abadia Del Crímen da espanhola Dynamic para o MSX, é como o Velvet Underground do mundo dos games. Pouco conhecido e injustiçado, embora tenha sido um dos jogos mais inovadores de todos os tempos, creio eu. O jogo era baseado no romance O nome da rosa, de Umberto Ecco, que disse ter gostado mais da adaptação feita para o jogo do que para o cinema; que moral, né? Pois pra mim, é melhor que o filme e que o livro!... O jogo era em terceira pessoa, em perspectiva 3D e usava duas cores apenas. Foi minha primeira experiência com um jogo que tinha um roteiro propriamente dito, havia um motivo para continuar jogando, um mistério a ser desvendado dentro de um mosteiro gigantesco cheio de esconderijos e salas secretas! Era diferente de tudo que havia visto. Por exemplo, Space Invaders, PacMan ou Enduro, que começavam do nada e terminavam em lugar nenhum. Houve outros, mas nenhum chegou nem perto do impacto deste...

Arthur: Que critérios você utiliza para considerar um jogo bom ou não?

Bruno: Um jogo bom: uma história bacana, pertinente e bem elaborada. Um jogo ruim: qualquer jogo que tenha aquela maldita barra de energia no topo, ou então aqueles jogos de plataforma super movimentados, cheios de fases e inimigos. Eu fico desesperado! Até hoje tenho pesadelos com o Sonic...

Arthur: Que momento é mais frustrante durante um jogo?

Bruno: Quando o jogo trava e você não sabe se salvou. Principalmente quando trava e o computador não reseta, fica aquela tela congelada, estaticamente perversa, e você começa a rezar com esperança que o jogo volte a funcionar. Mas não tem jeito: você precisa reiniciar o Windows e começar o jogo de novo...

Arthur: O que te motivou e inspirou a seguir essa "carreira"?

Bruno: É aquela coisa: que fã de cinema nunca sonhou em fazer seu próprio filme? Colecionador de discos, em formar sua própria banda? Desde minhas primeiras experiências com jogos, de alguma maneira pensava em um dia fazer os meus... Mas fui perdendo o interesse em testar novos jogos porque cada vez me decepcionava mais com as novidades: jogos cada vez mais bem produzidos, detalhados e repetitivos... De certa forma, a maioria dos jogos famosos é voltada ao público adolescente, e por isso, politicamente corretos. Por isso, creio que minha maior inspiração foi o desafio de criar um jogo que fosse realmente gostar.

Arthur: Que critérios (você) utiliza para dar início à criação de um jogo?

Bruno: Não sei dizer... Talvez algo que seja diferente, com história de qualidade, mas esse tipo de julgamento é bastante pessoal. Creio que a melhor resposta seria "um jogo que fosse me interessar, me prender em frente ao computador até amanhecer".

Arthur: Quais as motivações para criar especificamente o The Spoiler?

Bruno: Foi meu primeiro jogo, portanto, foi o motivo que me fez seguir essa carreira. Além disso, um jogo que se passasse dentro de um tribunal, como um filme, pareceu ser relativamente fácil de fazer e o fato de não existir um jogo desse tipo (pelo menos que eu saiba) foi a gota d'água...

Arthur: Quanto tempo demorou para desenvolver o jogo? Quantas pessoas participaram?

Bruno: Cerca de um ano. Efetivamente, participaram três pessoas. Como nunca tínhamos feito nada parecido, foi um sufoco ter de refazer algumas partes várias vezes: é frustrante se dar conta que certo acontecimento no final do jogo é incoerente com alguma coisa no início, e acabar tendo de mexer em tudo. Mas o pior de tudo é saber que se tivesse o conhecimento que tenho hoje, teria completado The Spoiler sozinho, à minha maneira, em menos tempo e sem esquentar a cabeça... Quem sabe um dia eu lance: "The Spoiler: Director's Cut"?

Arthur: Quais são seus planos futuros?

Bruno: Terminar nosso segundo jogo, Brass Tacks, e torcer para que não siga o mesmo rumo de anonimato e descaso do primeiro. Acho difícil de isso acontecer, porque dei atenção às críticas e busquei evitá-las. Além disso, o jogo será em inglês, o que muda tudo... Mas se mesmo assim atolar, acho difícil continuar nessa. É muito tempo dedicado, esforço e empenho para pouco apoio e quase nenhum reconhecimento. E estamos falando de jogos gratuitos...

Arthur: O que mudaria na indústria de jogos brasileira?

Bruno: Olha, não saberia por onde começar. Mas o mais importante, acho que seria a mentalidade das pessoas. Valorizar o que é produzido no país, apoiar iniciativas independentes... Mas sou pessimista quanto a isso, já me envolvi com outras coisas, como gravadora de bandas independentes, produção de shows, já fiz até fanzines (risos)... No fim das contas, a mentalidade é a mesma.

Arthur: O que você considera vantagem e desvantagem para um desenvolvedor independente? Dentro e fora do Brasil?

Bruno: Como vantagem, a liberdade criativa de poder fazer do seu jogo algo que considere arte e de que se orgulhe. Desvantagem, com certeza o retorno financeiro, marketing, divulgação etc.

Arthur: Quais as suas sugestões para um desenvolvedor independente no Brasil?

Bruno: Se baseando em minha experiência, faça-o em inglês. Além de torná-lo viável mundialmente, acho que chamaria mais a atenção dos gamers brasileiros.

Arthur: Para seguir uma carreira na indústria dos jogos, você acha que a melhor coisa que um desenvolvedor pode fazer é buscar sair do país? Ou ainda há esperança aqui no Brasil?

Bruno: A melhor escolha seria continuar no Brasil, mantendo o foco no mercado estrangeiro. Como disse, tenho certa experiência em diversos formatos e categoria de "projetos empresariais" (micro empresas sempre: começar de baixo e sonhar a médio/longo prazo). Nosso governo é notório por manter constante e inabalável o princípio do "quanto menos, melhor" no que se refere à atenção destinada às áreas essenciais de desenvolvimento sócio-econômico. Micro e pequenas empresas não deixam nada a desejar no que se refere ao descaso à educação, saúde e saneamento básico.

Lembro que durante o desenvolvimento de The Spoiler, descobri que tinha sido realizado um concurso promovido pelo Ministério da Cultura (ou órgão parecido) para desenvolvedores de jogos independentes. A lista de campeões resumia perfeitamente o que quero dizer: dos dez jogos vencedores, havia uns sete ou oito sobre saci-perere, bicho-papão, mula sem cabeça e toda a sorte de folclore brasileiro... Quisera eu saber disso em tempo de me inscrever: imagine um jogo picareta onde o curupira e boi-bumbá se unem contra o desmatamento da Amazônia? Sobrevivência do mico-leão-dourado? Do boto cor-de-rosa? Se passar de fase, ganha uma tele-sena, se perder uma vida, um abacaxi do chacrinha... E terminam o jogo como sindicalistas da CUT, com direito a greve e tudo mais? Enfim, cada um na sua; mas minha perspectiva, com certeza, é longe disso...

Arthur: Últimas palavras?

Bruno: Para quem produz jogos e distribui gratuitamente, não há reconhecimento maior do que receber comentário de pessoas que jogaram. Elogios ou críticas, não importa o tipo de comentário: sempre é importante, sempre é considerado e usado para criar jogos cada vez melhores!...

Se você quer fazer parte da equipe, basta disposição! Nós temos planos a médio-prazo de fazer da equipe uma pequena empresa comercial, onde pessoas apaixonadas por jogos possam ser remuneradas realizando seu sonho. Entre em contato no nosso site: www.beware.co.nr.

Por fim, aos que ainda não botaram a mão na massa, apenas sonham em um dia fazer seu próprio jogo, vai o recado: não perca tempo! Comece já! Tem uma frase bem legal, que nunca esqueço: "Por não saber que era impossível, foi lá e fez!" Não se preocupe com quaisquer obstáculos (programação, interface, estilo etc), esboce personagens, roteiro, concepção; faça o que puder e admire seu trabalho: é dele que, gradualmente, vem a motivação necessária para ir cada vez mais além...

"A diferença entre o vencedor e o perdedor é que o segundo desistiu no meio do caminho". Boa sorte, e estamos aí para ajudá-los no que pudermos!

Divirta-se, acompanhe, participe no fórum e acima de tudo: uma excelente jogatina!

Jogo Recomendado:

The Spoiler

terça-feira, 29 de maio de 2007

CARPE DIEM! VIVA OS VIDEO GAMES!

Dessa vez o post é uma exceção em termos textuais, assim como na vez do filmezinho Human há dois posts atrás. Ainda assim isso é muito importante pra mim - na esfera pessoal e profissional - como também para todos os jogares de video game por ai que apreciam uma boa trilha sonora.

Por isso..segue ai uma entrevista, publicada no GameCultura, que eu fiz com o Jack Wall a respeito do Video Games Live e o seu retorno ao Brasil. Pra quem está boiando, tem uma pequena introdução pra te situar. Qualquer coisa me perguntem. E sim, eu vou no show em setembro.

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Com o divulgado retorno do Vídeo Games Live para o Brasil não há como não se perguntar como isso tudo começou. Jack Wall e Tommy Tallarico são a resposta, afinal são os fundadores do famoso concerto que assisitmos em 2006, e em 2007 promete retornar. Wall comenta isso e mais na entrevista exclusiva.

Jack Wall é um compositor veterano da indústria de games que recentemente trouxe para o Brasil o que era antes o simples sonho de um viciado em games. Contudo o Vídeo Games Live fez com que a musica dos jogos ultrapassasse aquele simples conceito musical que só interessava aos jogadores. O show está fazendo apresentações pelo mundo afora desde 2005 e mostrando para todos que não são somente os game-maníacos que podem apreciar suas melodias favoritas, mas também aqueles que nunca botaram a mão em um controle. Em suma: O Vídeo Games Live mostrou que a musica de vídeo game em sua forma orquestrada pode agradar a todos. Jack, antes de mais nada, obrigado por essa oportunidade.

Arthur Protasio: Então, como foi o Blizzard’s Worldwide Invitational? Parece que a VGL fez sucesso na Ásia também.

Jack Wall: Foi fantástico! Que palco tivemos! Tela LED de última geração passando videos e outras três telas gigantes mostrando o evento. Muitas luzes e efeitos. A gente passou uma semana programando tudo isso antes de irmos. Foi um show muito animado. Gostei muito!

AP: Você chegou a jogar muito WOW (World of Warcraft) ou foi o trailer do Starcraft 2 que te interessou mais?

JW: Na verdade eu não cheguei a jogar nada. Eu estava muito ocupado produzindo o show com o pessoal da Blizzard e o Tommy. Ainda assim foi divertido, a gente deu umas voltas pelo evento e viu milhares de pessoas se divertindo. Inclusive assisti a um pouco do campeonato de Starcraft.

AP: É incrível ver o quanto você já alcançou. Como que tudo começou? Por que você começou a trabalhar com jogos e qual foi sem primeiro emprego na área?

JW: Ei, eu só estou interessado em musica. Eu realmente amo a carreira que eu tenho – todo dia é diferente e animado! Eu comecei em 1996 com um jogo pouco conhecido chamado Flying Saucer. Ele só foi lançado na Alemanha por uma empresa, que hoje em dia não existe mais, chamada Software2000. Era na realidade um jogo de computador bem legal e eu amei a experiência de fazê-lo. Era tão sinistro e etéreo ao mesmo tempo. A partir desse ponto eu continuei a fazer vários jogos ao lado da desenvolvedora Postlinear (inexistente arualmente) em São Franciso na Califórnia. Fiz uns bons contatos naquela empresa e depois comecei a trabalhar no Myst III: Exile e isso realmente alavancou minha carreira.

AP: Qual trilha sonora que você considera ser o seu maior sucesso e qual jogo que você mais se envolveu?

JW: Provavelmente o que eu estou fazendo agora! Eu já tenho um bom histórico: Myst III, Myst IV, Splinter Cell e Jade Empire. Agora eu estou trabalhando no Mass Effect que vai ser um grande lançamento na América do Norte no Xbox 360. Eu sei que o Xbox não é tão conhecido no Brasil, mas eu espero que alguns de vocês possam jogá-lo. É incrível! Um RPG com uma forte presença de ação que se passa no futuro – um ótimo drama de ficção científica. O jogo pretende competir diretamente com o Halo, acredito eu, mas na realidade as pessoas que jogam o um também vão jogar o outro. Então na prática não existe tanta competição.

AP: Como você surgiu com a idéia de tornar em realidade o que é hoje o show de videogames mais bem sucedido do mundo?

JW: Eu e o meu parceiro, Tommy Tallarico, nos reunimos uns 5 anos atrás e passamos a pensar em projetos que poderíamos fazer juntos. A idéia de criar um concerto rapidamente foi parar no topo da nossa lista! A gente queria trazer o mundo dos games para um cenário comum e a gente realmente tem tido um belo sucesso nisso.

AP: A versão brasileira do VGL atingiu suas expectativas?

JW: Até agora a platéia brasileira é a mais animada no mundo inteiro! Eu amei e nós estamos voltando!

AP: Com o retorno do VGL confirmado para o Brasil no mês de setembro, como que você se sente voltando?

JW: A gente ama voltar para o mesmo mercado – especialmente no Brasil! Ano passado a gente só confirmou o show no Rio poucas semanas antes de chegarmos e mesmo assim quase lotamos. Esse ano a gente espera ter os ingressos a venda bem mais cedo além de fazer vários shows!

AP: O que a platéia pode esperar? Algum repertório especial como no ano passado?

JW: A gente está planejando isso atualmente e eu realmente não quero falar nada até estarmos prontos para anunciar. A gente pode aparecer e simplesmente surpreender vocês!

AP: Você gosta de jogar videogame? Quais são os seus jogos favoritos e qual o aspecto mais importante em um jogo para você?

JW: Bem, eu tenho uma filha de 10 anos. A gente joga muito Mario e Guitar Hero juntos. Eu também gosto muito de Halo, Myst, Splinter Cell e alguns outros.

AP: Qual seu conselho para qualquer pessoa que queira seguir os seus passos?

JW: Em termos de composição, é tudo sobre a mistura de talento e os contatos que você tem na indústria. Nos Estados Unidos existe uma grande rede de contatos, especialmente na Califórnia, então se você puder ir para lá e conhecer algumas pessoas vale muito a pena. Você também pode se unir ao Game Audio Network Guild e aprender mais sobre como fazer tudo isso. Eu também recomendaria uma grande conferência que acontece todo mês de março em São Francisco, a GDC - Game Developers Conference. Em termos de apresentações e concertos... sem conselhos.

AP: Quais são seus planos futuros?

JW: Estou com projetos envolvendo composições, mas também estou planejando uma turnê européia para o VGL. Enquanto isso também estamos trabalhando aqui na Ásia. No entanto esse verão (ou inverno para os brasileiros) é tudo sobre os nove shows que apresentaremos na América do Norte e em seguida...BRASIL em setembro!

AP: Fantástico. Últimas palavras?

JW: É melhor vocês aparecerem para as nossas apresentações no Brasil!